Sonic Branding — Quando a identidade também passa a ser ouvida

Por Raul Marques

Durante décadas, construir uma marca significava cuidar apenas daquilo que as pessoas enxergavam.

Um bom logotipo.

Uma identidade visual consistente.

Uma paleta de cores bem definida.

Um símbolo memorável.

Parecia suficiente.

Mas as marcas nunca foram percebidas apenas pelos olhos.

Elas também são reconhecidas pela voz de um atendimento.

Pelo som da abertura de um aplicativo.

Por uma vinheta de poucos segundos.

Pela assinatura sonora de uma campanha.

Ou até pelo silêncio cuidadosamente planejado em determinados momentos da experiência.

Muito antes de percebermos racionalmente uma marca, nosso cérebro já começou a interpretar estímulos sonoros.

E, assim como acontece com as cores ou com as formas, esses estímulos também constroem memória, reconhecimento e percepção.

É justamente nesse contexto que nasce o Sonic Branding.

Mais do que criar um jingle ou uma música publicitária, Sonic Branding é a disciplina responsável por transformar o som em parte da identidade da marca.

Da mesma forma que um logotipo identifica visualmente uma empresa, uma identidade sonora permite que ela também seja reconhecida quando não pode ser vista.

No Método Raul Marques, Sonic Branding não representa um elemento isolado.

Ele faz parte do Sistema de Identidade Visual e amplia a presença da marca para outro sentido humano.

A identidade deixa de ser apenas visual.

Ela passa a ser percebida também pela audição.


O que você encontrará neste artigo

Ao longo deste capítulo você entenderá:

  • O que realmente é Sonic Branding.
  • Por que marcas fortes também constroem identidade através do som.
  • A diferença entre música publicitária e identidade sonora.
  • Como sons despertam memória, emoção e reconhecimento.
  • Onde o Sonic Branding aparece na experiência da marca.
  • Como ele se integra ao Sistema de Identidade Visual.
  • Por que o som também precisa ser governado para preservar a consistência da marca.

Muito além dos jingles

Quando o assunto é Sonic Branding, existe uma confusão bastante comum.

Muitas pessoas acreditam que ele se resume à criação de um jingle.

Na prática, isso representa apenas uma pequena parte do que uma identidade sonora pode ser.

Um jingle normalmente nasce para apoiar uma campanha específica.

Ele possui início, meio e fim.

Seu objetivo costuma ser vender uma promoção, reforçar um lançamento ou aumentar a lembrança de uma determinada ação de comunicação.

O Sonic Branding possui outra função.

Ele não nasce para uma campanha.

Ele nasce para a marca.

Sua missão é criar uma identidade sonora consistente, capaz de acompanhar a empresa em diferentes contextos, canais e experiências durante muitos anos.

Da mesma forma que um logotipo não muda a cada nova campanha publicitária, uma identidade sonora também precisa manter seus elementos essenciais ao longo do tempo.

Ela passa a representar a personalidade da marca.

Não apenas uma ação de marketing.


Como o cérebro reconhece sons antes das imagens

A percepção sonora possui uma característica interessante.

Ela costuma ser extremamente rápida.

Muitas vezes reconhecemos uma marca antes mesmo de enxergá-la.

Bastam poucos segundos.

O som de inicialização de um equipamento.

A vinheta de abertura de um serviço de streaming.

O áudio de confirmação de uma compra.

A voz utilizada por um assistente virtual.

Todos esses elementos são capazes de ativar lembranças quase instantaneamente.

Isso acontece porque nosso cérebro associa sons à memória emocional de maneira extremamente eficiente.

Enquanto uma identidade visual depende da atenção dos olhos, uma identidade sonora pode ser percebida mesmo quando estamos dirigindo, caminhando, trabalhando ou olhando para outra direção.

É justamente por isso que o Sonic Branding amplia a presença da marca.

Ele permite que ela continue sendo reconhecida mesmo quando não está visível.


Os elementos que compõem uma identidade sonora

Assim como uma identidade visual é formada por diversos elementos gráficos, uma identidade sonora também é construída por diferentes componentes.

Entre eles podemos encontrar:

  • Assinaturas sonoras;
  • Vinhetas institucionais;
  • Sons de interface;
  • Identidade musical;
  • Voz institucional;
  • Paisagens sonoras;
  • Efeitos de interação;
  • Trilha ambiente para espaços físicos.

Cada elemento desempenha uma função diferente.

Alguns identificam.

Outros acolhem.

Alguns reforçam confiança.

Outros despertam emoção.

O importante é compreender que nenhum deles deve existir de forma isolada.

Todos precisam seguir os mesmos critérios estratégicos definidos para a marca.

É exatamente essa coerência que transforma sons independentes em um verdadeiro Sistema de Identidade Sonora.


Sonic Branding também precisa de Governança

Criar uma identidade sonora consistente é apenas o começo.

Assim como acontece com o logotipo, a tipografia ou a identidade visual, os elementos sonoros também precisam ser protegidos ao longo do tempo.

É justamente aqui que a Governança da Marca volta a assumir um papel fundamental.

Ela garante que a identidade sonora continue sendo utilizada da forma como foi concebida.

Que novas campanhas respeitem sua assinatura.

Que novos vídeos utilizem os mesmos critérios.

Que novos canais mantenham a mesma personalidade sonora.

Sem Governança, cada fornecedor passa a interpretar o som da marca de maneira diferente.

Uma campanha utiliza uma trilha.

Outra utiliza uma voz completamente diferente.

Uma terceira cria uma nova assinatura sonora.

Pouco a pouco, a consistência desaparece.

O resultado é exatamente o mesmo que acontece quando uma empresa altera constantemente seu logotipo ou suas cores institucionais.

A marca deixa de ser reconhecida.

Porque identidade não é criatividade.

É repetição consistente.


O som também constrói reputação

Uma marca não é formada apenas pelo que as pessoas enxergam.

Ela também é construída pelo que elas ouvem.

Cada confirmação de compra.

Cada abertura de aplicativo.

Cada atendimento.

Cada vídeo institucional.

Cada evento.

Cada ponto de contato sonoro comunica algo.

Quando esses elementos trabalham em harmonia com toda a identidade da marca, o reconhecimento acontece de forma quase automática.

O cliente talvez nunca perceba conscientemente.

Mas seu cérebro percebe.

E é justamente essa soma de pequenas percepções consistentes que fortalece a construção da reputação.

No Método Raul Marques, Sonic Branding não representa um recurso estético.

Ele representa mais uma camada do Sistema de Identidade da Marca.

Porque uma marca verdadeiramente consistente ocupa todos os sentidos possíveis.


Conclusão

Durante muitos anos, a construção da identidade esteve concentrada apenas nos elementos visuais.

Hoje, isso já não é suficiente.

As marcas vivem em vídeos, aplicativos, assistentes virtuais, podcasts, eventos e inúmeras experiências onde o som possui um papel decisivo.

Construir uma identidade sonora consistente significa ampliar a capacidade de reconhecimento da marca para além da visão.

Quando o Sonic Branding é planejado estrategicamente, ele fortalece a personalidade da empresa, aumenta a memorização e cria experiências muito mais consistentes ao longo da jornada do cliente.

Assim como acontece com qualquer outro ativo da marca, seu verdadeiro valor não está na criatividade isolada.

Está na coerência.


Em uma frase

Uma marca memorável não é apenas reconhecida pelos olhos. Ela também é lembrada pelos ouvidos.


O que você deve lembrar deste capítulo

✓ Sonic Branding é a disciplina responsável por transformar o som em parte da identidade da marca.

✓ Ele vai muito além de jingles ou músicas publicitárias.

✓ Assinaturas sonoras, vozes institucionais, vinhetas e sons de interface também fazem parte da identidade da empresa.

✓ O cérebro reconhece estímulos sonoros de maneira extremamente rápida, tornando o som um poderoso elemento de reconhecimento.

✓ A identidade sonora precisa seguir os mesmos critérios estratégicos da identidade visual.

✓ A Governança também protege os ativos sonoros, garantindo consistência em todos os pontos de contato.

✓ Quanto mais sentidos uma marca consegue ocupar de forma coerente, maior tende a ser sua capacidade de construir reconhecimento e reputação.


Próxima leitura

Toda identidade construída até aqui precisa de algo que garanta sua continuidade.

Logotipos mudam.

Aplicações se multiplicam.

Novos colaboradores chegam.

Novos fornecedores passam a produzir materiais da marca.

Sem um documento capaz de orientar essas decisões, a consistência começa a desaparecer.

É justamente por isso que nasce o Brandbook.

Muito mais do que um manual de identidade visual, ele se torna a principal referência para preservar a coerência da marca ao longo do tempo.

→ Próximo capítulo: Brandbook — O documento que orienta e preserva a identidade da marca.


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