Arquétipos — Os padrões simbólicos que fortalecem a personalidade e a percepção da marca

Por Raul Marques

Quando duas empresas oferecem produtos semelhantes, preços parecidos e qualidade equivalente, por que uma delas parece naturalmente mais confiável?

Por que algumas marcas transmitem inovação antes mesmo de apresentar uma novidade?

Por que determinadas empresas despertam proximidade enquanto outras comunicam autoridade?

Grande parte dessa percepção acontece porque nosso cérebro interpreta marcas da mesma forma que interpreta pessoas.

Naturalmente atribuímos características humanas às organizações.

Percebemos algumas como ousadas.

Outras como acolhedoras.

Algumas parecem sábias.

Outras inspiradoras.

Existem aquelas que transmitem segurança.

E também aquelas que despertam curiosidade.

Esses padrões de interpretação recebem o nome de Arquétipos.

No Branding, eles representam modelos universais de comportamento que ajudam a tornar a personalidade da marca mais clara, consistente e facilmente reconhecida pelas pessoas.


O que são Arquétipos?

O conceito de arquétipo foi desenvolvido pelo psicólogo suíço Carl Gustav Jung, que observou a existência de padrões simbólicos recorrentes presentes em diferentes culturas ao longo da história.

Heróis.

Mentores.

Exploradores.

Criadores.

Governantes.

Cuidadores.

Essas figuras aparecem repetidamente porque representam formas universais de interpretar comportamentos humanos.

No Branding, esses mesmos padrões passaram a ser utilizados para fortalecer a construção da personalidade das marcas.

Isso não significa transformar empresas em personagens.

Significa utilizar referências psicológicas capazes de tornar a identidade mais consistente e previsível.

Quanto mais coerente essa construção, mais facilmente as pessoas compreendem quem a marca é.


Arquétipos não criam a personalidade

Existe um erro bastante comum.

Muitas empresas iniciam o Branding perguntando:

“Qual é o arquétipo da minha marca?”

No Método Raul Marques, essa pergunta acontece no momento errado.

Antes dos Arquétipos, a marca já definiu:

  • sua Estratégia;
  • seu Posicionamento;
  • sua Personalidade;
  • sua Promessa;
  • seu Manifesto;
  • seu Tom de Voz;
  • seu Storytelling.

Os Arquétipos não substituem nenhuma dessas decisões.

Eles apenas oferecem um repertório simbólico capaz de fortalecer aquilo que já foi estrategicamente construído.

Em outras palavras:

A personalidade nasce da Estratégia e do Branding.

Os Arquétipos ajudam a expressá-la com mais clareza e consistência.


O que você encontrará neste artigo

Ao longo deste capítulo você entenderá:

  • o que são Arquétipos de Marca;
  • por que eles influenciam a percepção das pessoas;
  • como devem ser utilizados no Branding;
  • quais são seus benefícios;
  • e quais erros devem ser evitados ao utilizá-los.

Por que os Arquétipos funcionam?

Os Arquétipos funcionam porque simplificam a interpretação da marca.

O cérebro humano procura constantemente padrões.

Quando uma marca mantém comportamentos consistentes ao longo do tempo, ela passa a ser reconhecida com muito mais rapidez.

Isso reduz o esforço necessário para compreendê-la.

Em vez de analisar cada nova comunicação isoladamente, as pessoas passam a antecipar como aquela marca provavelmente irá agir.

É justamente essa previsibilidade que fortalece a confiança.

Quanto mais coerente for a personalidade construída, mais facilmente a marca será reconhecida.

E quanto mais facilmente ela for reconhecida, maior tende a ser sua capacidade de gerar conexão emocional.


Os principais Arquétipos

Diversos estudos sobre Branding utilizam como referência os doze Arquétipos inspirados na teoria de Carl Gustav Jung.

Entre os mais conhecidos estão:

  • Inocente
  • Explorador
  • Sábio
  • Herói
  • Fora da Lei
  • Mago
  • Cara Comum
  • Amante
  • Bobo da Corte
  • Cuidador
  • Criador
  • Governante

Cada um representa padrões universais de comportamento, motivações, linguagem e formas de relacionamento com o mundo.

No entanto, no Método Raul Marques, esses Arquétipos não devem ser encarados como rótulos que definem uma marca.

Eles funcionam como referências capazes de fortalecer uma personalidade que já foi estrategicamente construída.

Mais importante do que escolher um Arquétipo é manter coerência entre todas as decisões que moldam a percepção da marca.


Arquétipos fortalecem decisões

No Método Raul Marques, os Arquétipos não são utilizados apenas na comunicação.

Eles ajudam a orientar inúmeras decisões relacionadas à marca.

Influenciam:

a linguagem utilizada;

o estilo visual;

a fotografia;

as ilustrações;

o comportamento nas redes sociais;

a forma de atender clientes;

o desenvolvimento de produtos;

a construção das experiências;

e até mesmo a cultura organizacional.

Quando existe coerência entre todos esses elementos, a personalidade deixa de ser apenas um conceito.

Ela passa a ser percebida naturalmente.


Não existe arquétipo certo

Outro equívoco bastante comum é acreditar que alguns arquétipos são superiores aos outros.

Não são.

Não existe arquétipo forte.

Existe arquétipo coerente.

Uma marca de tecnologia pode comunicar autoridade.

Outra pode comunicar criatividade.

Outra pode comunicar proximidade.

Todas podem ser igualmente fortes.

O que determina essa força não é o arquétipo escolhido.

É a consistência com que ele é aplicado.

O verdadeiro problema acontece quando a marca comunica um arquétipo diferente em cada Ponto de Contato.

Hoje parece especialista.

Amanhã parece divertida.

Depois transmite exclusividade.

Na semana seguinte tenta parecer acessível.

Essa instabilidade dificulta a construção da percepção.


Arquétipos também evoluem

Os Arquétipos não devem aprisionar a marca.

Assim como empresas evoluem, suas formas de expressão também podem amadurecer.

Uma organização pode continuar sendo reconhecida como inovadora, mas tornar sua comunicação mais sofisticada.

Pode manter uma personalidade acolhedora e, ao mesmo tempo, comunicar maior autoridade.

O importante é preservar a coerência da identidade construída.

Arquétipos servem como referência.

Nunca como prisão criativa.


Arquétipos fortalecem a consistência da marca

Quando utilizados corretamente, os Arquétipos tornam a personalidade da marca mais clara, previsível e reconhecível.

Eles não alteram a Estratégia.

Não substituem o Posicionamento.

Não definem a Proposta de Valor.

Também não determinam a identidade visual.

Seu papel é fortalecer a coerência entre todos esses elementos, oferecendo uma referência simbólica capaz de tornar a marca mais facilmente compreendida pelas pessoas.

É justamente essa repetição consistente que faz com que determinadas marcas sejam reconhecidas quase instantaneamente.

Antes mesmo de ler um texto.

Antes mesmo de visualizar um logotipo.

Antes mesmo de experimentar um produto.


Conclusão

Arquétipos representam padrões universais de comportamento capazes de fortalecer a personalidade da marca e facilitar sua interpretação pelo mercado.

No Método Raul Marques, eles não são utilizados como ponto de partida para o Branding.

São utilizados como uma ferramenta estratégica para reforçar aquilo que já foi definido pela Estratégia e consolidado pelo Branding.

Quando aplicados de forma consistente, ajudam a criar marcas mais reconhecíveis, mais memoráveis e emocionalmente mais próximas das pessoas.

Porque, no fim, as pessoas não se relacionam apenas com produtos ou serviços.

Relacionam-se com significados.

E os Arquétipos ajudam justamente a tornar esses significados mais claros, coerentes e duradouros.


Em uma frase

Arquétipos são referências simbólicas que fortalecem a personalidade da marca e tornam sua percepção mais consistente, reconhecível e emocionalmente significativa.


O que você deve lembrar deste capítulo

✓ Arquétipos são padrões universais de comportamento que ajudam as pessoas a interpretar e reconhecer marcas.

✓ Eles não criam a personalidade da marca; apenas fortalecem uma personalidade que já foi estrategicamente definida.

✓ Sua principal função é aumentar a coerência entre comunicação, identidade, comportamento e experiências.

✓ Não existe arquétipo melhor ou pior. Existe apenas o arquétipo mais coerente com a estratégia da marca.

✓ Arquétipos são referências de construção de percepção, e não modelos rígidos que limitam a evolução da organização.


Próxima leitura

Uma personalidade consistente torna a marca mais reconhecível.

Mas reconhecimento, por si só, não garante valor.

Com o passar do tempo, marcas coerentes passam a construir um ativo extremamente importante.

Um patrimônio que influencia preferência, percepção de qualidade, confiança e até a disposição das pessoas em pagar mais pelos seus produtos ou serviços.

Esse patrimônio recebe o nome de Brand Equity.

→ Próximo capítulo: Brand Equity — O patrimônio intangível construído pela percepção da marca.


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