Por Raul Marques
Depois que uma marca recebe um nome.
Uma identidade verbal.
E uma representação tipográfica por meio do logotipo.
Surge uma pergunta bastante comum.
Ela também precisa de um símbolo?
Durante muitos anos, a resposta mais frequente do mercado foi simplesmente “sim”.
Criou-se a ideia de que toda marca forte deveria possuir um elemento gráfico próprio.
Algo que pudesse ser reconhecido rapidamente.
Que funcionasse separado do nome.
Que sintetizasse visualmente a identidade da empresa.
Embora isso seja verdade em muitos casos, não representa uma regra.
Existem marcas extremamente fortes que passaram décadas utilizando apenas seu logotipo.
Outras desenvolveram símbolos somente depois de conquistarem elevado reconhecimento.
E existem organizações que jamais precisaram de um símbolo para construir reputação.
É justamente por isso que, no Método Raul Marques, o símbolo não nasce por obrigação.
Ele nasce por necessidade estratégica.
Sua função não é decorar a identidade.
Nem preencher espaço ao lado do logotipo.
Sua função é ampliar a capacidade de reconhecimento da marca quando existe uma justificativa para isso.
Até aqui construímos toda a base necessária para que uma identidade exista.
A Estratégia definiu a direção.
O Branding estabeleceu os Critérios de Percepção.
O Naming deu nome à marca.
A Tagline sintetizou sua essência.
A Identidade Verbal organizou sua linguagem.
E o Logotipo transformou o nome em sua principal identificação visual.
Agora chegou o momento de compreender quando um símbolo realmente faz sentido.
O que é um símbolo?
Símbolo é um elemento gráfico criado para representar visualmente uma marca de maneira sintética.
Diferentemente do logotipo, que depende da leitura do nome, o símbolo procura comunicar por meio da imagem.
Sua função não é substituir o logotipo.
É ampliar a capacidade de identificação da marca em situações nas quais o uso do nome não seja necessário ou não seja possível.
Quando bem construído, um símbolo pode tornar-se um poderoso ativo de reconhecimento.
Basta observar marcas como Nike, Apple ou Mercedes-Benz.
Em muitos contextos, seus símbolos já são suficientes para que a organização seja imediatamente reconhecida.
Mas esse reconhecimento não nasce do desenho.
Nasce da repetição consistente dessa representação ao longo do tempo.
O símbolo apenas concentra visualmente um significado que foi construído anteriormente pela marca.
Nem toda marca precisa de um símbolo
Talvez este seja o ponto mais importante deste capítulo.
Existe uma tendência muito forte de acreditar que um símbolo representa um requisito obrigatório para qualquer identidade visual.
Não representa.
Criar um símbolo apenas porque outras empresas possuem um costuma gerar identidades visualmente mais complexas, sem necessariamente torná-las mais eficientes.
Em muitos casos, um logotipo bem construído já oferece toda a capacidade de identificação necessária.
Principalmente quando o nome da marca possui boa memorabilidade e forte presença em seus pontos de contato.
O símbolo passa a fazer sentido quando existe uma necessidade clara de sintetizar visualmente essa identidade.
Quando ele realmente amplia reconhecimento.
Quando facilita aplicações.
Ou quando fortalece a construção da marca.
Fora dessas situações, ele pode representar apenas mais um elemento gráfico sem função estratégica.
No Método Raul Marques, o símbolo nunca nasce por obrigação.
Ele nasce quando existe uma razão objetiva para sua existência.
O que você encontrará neste artigo
Ao longo deste capítulo você compreenderá:
- o que é um símbolo dentro da Identidade de Marca;
- quais diferenças existem entre símbolo e logotipo;
- por que nem toda marca precisa de um símbolo;
- quando sua utilização realmente faz sentido;
- e como um símbolo se transforma em um ativo estratégico de reconhecimento.
O símbolo não explica a marca. Ele passa a representá-la.
Existe uma expectativa bastante comum em relação aos símbolos.
Acreditar que eles precisam ilustrar exatamente aquilo que a empresa faz.
Por isso surgem engrenagens para indústrias.
Casas para construtoras.
Folhas para empresas ambientais.
Lâmpadas para empresas de tecnologia.
E infinitos outros clichês visuais.
Embora esse caminho possa funcionar em alguns contextos, ele raramente produz símbolos memoráveis.
Porque um símbolo não existe para explicar a atividade da empresa.
Ele existe para representar a identidade da marca.
Quando observamos algumas das marcas mais reconhecidas do mundo, percebemos isso com facilidade.
A maçã da Apple não explica computadores.
O “swoosh” da Nike não explica artigos esportivos.
A estrela da Mercedes-Benz não explica automóveis.
Esses símbolos jamais dependeram de significado literal.
Eles passaram a receber significado porque foram associados, durante anos, a experiências consistentes.
É justamente essa diferença que transforma um símbolo em patrimônio.
Ele não comunica sozinho.
Ele aprende a comunicar à medida que a marca constrói reputação.
Um símbolo precisa funcionar antes de ser bonito
Outro erro bastante comum consiste em avaliar um símbolo apenas pela sua estética.
“Gostei.”
“Não gostei.”
“Parece moderno.”
“Parece antigo.”
Embora essas percepções façam parte da avaliação, elas estão longe de ser suficientes.
Antes de ser bonito, um símbolo precisa funcionar.
Precisa ser reconhecível.
Memorável.
Legível em diferentes tamanhos.
Capaz de funcionar tanto em ambientes digitais quanto físicos.
Precisa manter sua integridade quando reduzido.
Quando ampliado.
Quando aplicado em uma única cor.
Quando gravado.
Bordado.
Recortado.
Ou reproduzido em diferentes materiais.
É justamente por isso que um bom símbolo costuma ser muito mais simples do que muitas pessoas imaginam.
Quanto maior sua complexidade, maiores tendem a ser as dificuldades de aplicação e reconhecimento.
Simplicidade não representa falta de criatividade.
Representa eficiência.
Um símbolo também responde aos Critérios de Percepção
Assim como aconteceu com o logotipo, o símbolo jamais deveria nascer apenas da inspiração.
Ele precisa responder aos mesmos Critérios de Percepção definidos durante o Branding.
Se a marca deseja transmitir solidez, isso deverá aparecer na construção do símbolo.
Se deseja comunicar inovação, leveza ou sofisticação, essas características também deverão orientar suas decisões visuais.
É justamente por isso que símbolos diferentes podem produzir percepções completamente diferentes, mesmo quando representam empresas do mesmo segmento.
Porque não estão ilustrando atividades.
Estão representando posicionamentos.
No Método Raul Marques, o símbolo representa uma consequência da Estratégia.
Ele traduz visualmente aquilo que a marca decidiu ser.
Nunca aquilo que ela simplesmente faz.
O símbolo faz parte de um sistema
Existe outra percepção importante.
Nenhum símbolo trabalha sozinho.
Ele convive com o logotipo.
Com a tipografia.
Com as cores.
Com o Naming.
Com toda a identidade visual construída anteriormente.
Quando esses elementos funcionam de maneira integrada, o reconhecimento acontece naturalmente.
Quando competem entre si, a identidade perde força.
É justamente por isso que o símbolo nunca deve ser desenvolvido de forma isolada.
Ele representa apenas uma das peças responsáveis por fortalecer o sistema visual da marca.
Sua verdadeira função será compreendida de maneira ainda mais clara nos próximos capítulos, quando estudaremos como todos esses elementos passam a formar um único Sistema de Identidade Visual.
Conclusão
O símbolo representa a forma mais sintética de uma identidade visual.
Quando bem construído, ele é capaz de concentrar, em poucos traços, toda a percepção que a marca construiu ao longo do tempo.
Mas essa capacidade não nasce do desenho.
Nasce da consistência.
Um símbolo não se torna reconhecido porque possui uma forma bonita.
Ele se torna reconhecido porque, durante anos, passou a representar experiências, entregas, valores e reputação.
No Método Raul Marques, o símbolo nunca é tratado como um requisito obrigatório.
Sua criação acontece apenas quando existe uma função estratégica clara.
Quando ele amplia o reconhecimento.
Facilita aplicações.
Ou fortalece a presença da marca em diferentes contextos.
Caso contrário, o logotipo pode cumprir perfeitamente o papel de identificação visual da organização.
Assim como todos os demais elementos da identidade, o símbolo também responde à Estratégia.
Ao Branding.
Aos Critérios de Percepção.
E ao sistema que será consolidado nos próximos capítulos.
Porque um símbolo não existe para explicar uma empresa.
Existe para representar, de forma memorável, tudo aquilo que ela decidiu ser.
Em uma frase
O símbolo é o elemento gráfico que sintetiza visualmente a identidade da marca e amplia sua capacidade de reconhecimento quando existe uma necessidade estratégica para sua utilização.
O que você deve lembrar deste capítulo
✓ O símbolo representa visualmente a identidade da marca por meio de um elemento gráfico independente do nome.
✓ Diferentemente do logotipo, ele não depende da leitura para ser reconhecido.
✓ Nem toda marca precisa de um símbolo; sua criação deve responder a uma necessidade estratégica.
✓ Um bom símbolo não explica a atividade da empresa; ele representa seu posicionamento e sua identidade.
✓ Sua força não está no desenho, mas no significado que passa a acumular ao longo do tempo.
Próxima leitura
Até aqui compreendemos os dois principais elementos responsáveis por identificar visualmente uma marca.
O Logotipo, que representa seu Naming.
E o Símbolo, capaz de sintetizar graficamente sua identidade.
Mas existe um princípio presente na natureza, na arte, na arquitetura e no design que atravessa séculos influenciando a forma como percebemos equilíbrio, harmonia e proporção.
Esse princípio ficou conhecido como Proporção Áurea.
Muito além de uma fórmula matemática, ela representa uma ferramenta capaz de orientar a construção de elementos visuais mais coerentes e equilibrados.
No próximo capítulo compreenderemos o que realmente é a Proporção Áurea, por que ela desperta tanto interesse entre designers e até que ponto sua aplicação pode contribuir para a construção de identidades visuais.
→ Próximo capítulo: Proporção Áurea — A matemática por trás da harmonia visual.
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